LIVRO ON LINE by Ivas Rimidalw(Wladimir Savi)

1999 O Mundo Não Acabou ,os Ets Não Vieram e Eu Continuo com Meu Corpo Tridimensiomal de Macaco Vivendo no Planeta Terra

SOBRE O AUTOR

WLADI - Nasceu em 22 de maio em Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil Sempre foi um eterno inconformado com a forma que as coisas acontecem no mundo e em 2002, após ter pertencido a inumeras bandas no estado,Wladi resolveu montar a PUSSYWATER POP ROCK BLUES BAND.

Até o momento já havia participado das seguintes bandas:Quebra Nozes (1983),Nascente (1983),Olho Terra (1983),Habitantes do Planeta (1984),Bizarro (1984),O Abacaxi de Metal (1984),Lizarb (1985),Suspiram Blues (1985 & 1986), Bandaneon (1987 & 1988), Ressakas (1989, 1990, 1991, 1992 & 1993).

Após esta última ficou tão desiludido com a música e permaneceu fora do meio por 5 anos, só retornando ao meio em 98 com a Banda Sem Nome, em 99 não tocou em ne- nhuma banda, mas escreveu o livro: "1999, O MUNDO NÃO ACABOU , OS ETS NÃO VIERAM, E EU, CONTINUO COM MEU CORPO TRIDIMENSIONAL DE MACACO,VIVENDO NO PLANETA TERRA." Após este livro se retirou novamente do meio literareo e musical novamente por mais 3 anos e só retornou em 2002 , para a gravação de seu primeiro CD SOLO, produzido pela WPL - PRODUÇÕES (WLADI PRODUÇÕES LIMITADAS), selo criado e produzido por ele mesmo.

Hiperativo por natureza, nunca conseguiu ficar parado por muito tempo. Ministra aulas de música em sua escola, criada por ele mesmo em Porto Alegre em fins dos anos 80 no centro da cidade.

Conhece também "meio planeta" e já esteve nos seguintes paises:

01.ALEMANHA OCIDENTAL 1990, 02.ALEMANHA ORIENTAL 1990 & 1992 03.ANDORRA 1992 04.ARGENTINA 1986 & 1987 05.AUSTRIA 1992 06.BÉLGICA 1990, 1992, 1997 07.BRASIL DE 1965 ATÉ HOJE 08.ILHAS CAYMAN 2002 09.DINAMARCA 1990 10.EGITO 1992 1993 11.ESCÓCIA 1992 12.ESPANHA 1990, 1992, 1993 13.ESTADOS UNIDOS 1990. 2002 14.FINLÂNDIA 1990 15.FRANÇA 1990, 1992, 1993, 1997 16.GAZA 1992 17.GRÃ BRETANHA 1990, 1992, 1993, 1997 18.GRÉCIA 1992 19.HOLANDA 1990,1992 20.INGLATERRA 1990, 1992, 1993,1997 (ONDE MOROU POR 2 VEZES) 21.IRLANDA DO NORTE 1992 22.IRLANDA 1992 23.ISRAEL 1992 24.ITALIA 1990, 1992 25.LIECHENSTAIN 1990 26.LUXEMBURGO 1992 27.MôNACO 1992 28.NORUEGA 1990 29.PAIS DE GALES 1992 30.PAISES BAIXOS 1990, 1992, 1997 31.PALESTINA 1992 32.PARAGUAI 1984, 1985, 1986, 1987, 1991 33.PORTUGAL 1992 34.SUÉCIA 1992 35.SUÍÇA 1990, 1992 36.URUGUAI 1995, 1996 37.VATICANO 1992

Atualmente fala 3 idiomas: Português, Espanhol e Inglês, e pratica KILDO (KARATE COREANO), ja lutou FULL CONTACT, JUDO, E KICKBOXER.

JÁ LEU POR COMPLETO 2 VEZES A BÍBLIA(1600 PÁGINAS), E JÁ ANDOU POR VÁRIA RELIGIÕES, DENTRE ELAS: CATOLICISMO, HARE KRISHA, ESPIRITISMO, EVEANGELICOS, UNIVERSALISTAS, BUDISTAS. UFOLOGISTAS, VIMANOSOFISTAS, GNOSE, UMBANDA(AS DUAS), PROJECIOLOGIA, CONSICIENSCIOLOGIA, CONTROLE DA MENTE E ETC, PORÉM PERCEBEU NA MAIORIA DELAS QUE O OBJETIVO ERA DINHEIRO, ONDE SE DESILUDIU POR COMPLETO E DELAS SE AFASTOU PERMANENTEMENTE... SENDO HOJE UM CRISTÃO SEM IGREJA.

Formado em 1989 pela FACULDADE DE MÚSICA PALESTRINA, atua hoje dando aulas de música e dirigindo sua própria escola de música em Porto Alegre.

Tem também até o momento 3 CD independentes gravados com a BANDA PUSSYWATER POP ROCK BLUES BAND.

HORÁCIO (Prefácio)

Quando resolvi escrever este pequeno livro, já havia passado por vários segmentos evolutivos, que a maioria das pessoas em escalada evolucional passa, tipo Gnose, Projeciologia, Conscienciologia, Religiões Afro, Budismo, Espiritismo, Daime, grupos de estudo sobre Ufologia e Vimanosofia, assim como também por cursos e mais cursos sobre o controle da mente etc.).

Não interessa a ordem desses segmentos e, também, não interessam as crenças pessoais de cada um no momento, acredito que todos passem ou devam passar por eles mais cedo ou mais tarde.

É, realmente, muito difícil evoluir em nosso plano físico, porém, momentaneamente, não temos outra alternativa e o segredo é continuar sempre e sempre, apesar dos obstáculos; devemos nos lembrar que o erro também faz parte do aprendizado e que quando ficamos confusos, é sinal de que estamos chegando a algum lugar, pois ninguém fica confuso sobre o assunto que nada sabe.

Esse pequeno livro foi feito com o intuito de ajudar a todo aquele que busca o caminho da árdua evolução no planeta Terra, está longe de ter todas as respostas, mas será útil, como ferramenta de apoio para iniciantes.

Ele é resultado das experiências de uma pequena jornada, que começou há, aproximadamente, sete anos, onde descobri que nossa insignificante vida não se limita em apenas ganhar dinheiro e a comprar coisas, mas abrange vários corpos e várias dimensões paralelas, as quais também habitamos, mesmo sem nada lembrar.

A vida deveria ser para nós, algo grandioso, não deveria haver fome, miséria e ganância nesse mundo.

Se as pessoas soubessem que em outros planetas e planos dimensionais, evoluídos, não existem guerra, dinheiro, miséria e que neles, existem seres que se deslocam no universo a longas distâncias, sem combustível, pois utilizam telefones, carros computadores, tv, nem lêem jornais, pois têm um intelecto muito superior ao nosso e que podem se comunicar telepaticamente e fazerem coisas que nem poderíamos imaginar.

Talvez alguém se pergunte: e por que nós não?

Seria interessante para nós, como humanidade, assistirmos menos televisão e nos conscientizarmos de que existe alguém lá em cima que, realmente, se preocupa conosco e que acompanha cada passo de nossa escalada evolutiva.

Mesmo sabendo que o caminho é longo, temos que, de alguma maneira, dar o primeiro passo.

Deixo este pequeno grande livro como uma ajuda para este pequeno grande passo.

***ADVERTENCIA - ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO, QUALQUER SEMELHANÇA COM LUGARES OU PERSONAGENS,TERÁ SIDO MERA COINCIDENCIA.***

***PARTE I ( EU QUERO ME DA BEM )***

1.A VIDA ANTERIOR

Dentro de dois dias viajaria para Londres pela segunda vez, só que dessa vez seria diferente, pensei, estava disposto a ficar lá mais tempo que os dois ou três meses da vez anterior.

Meu inglês já estava melhor, já conhecia tudo sobre Londres, onde ir, onde me hospedar por menor preço e até tinha deixado uma conta bancária aberta para caso de retorno, como um caixa eletrônico daqui. Dessa vez contaria com um aliado extra: um cartão de crédito internacional, já que na vez anterior o que tinha era apenas nacional e, portanto, não me sentia seguro ao fazer todas as despesas em dinheiro ou cheques de viagem.

Os cheques de viagem têm seguro contra roubo, porém são proble- máticos para se trocar por dinheiro, não são trocados em todos os lugares e quem os troca, na maioria das vezes, cobra uma pequena taxa, que pode chegar até 30%, tal como me aconteceu em Paris na viagem anterior, mas de repente a campainha tocou.

Era Felícia e Tancredo que apareceram com uma pequena surpresa para minha despedida, alguma cocaína. Cocaína? Pensei: por que eles trouxeram isso? Eles sabem que eu não uso drogas.

Após bebermos pensei: que diferença faria? Dentro em breve estaria em outro país e eles muito menos poderiam falar daquilo para ninguém?

Naquele tempo fazia cursos de línguas como inglês, francês, italiano e espanhol. Nesses cursos conheci muita gente interessante, o círculo de amizades era imenso, tanto que mal consegui guardar o nome de tanta gente.

Tocava numa banda de rock, de forma que podíamos conhecer todo o interior de nosso estado sem nada gastar e ainda assim ganhava algum dinheiro. Certa vez fomos convidados a tocar no Rio de Janeiro, foi "desbunde", fomos de ônibus e voltamos de avião e, ainda, paramos numa casa com piscina.

Também me marcou a Cidade da Pirâmide, que só conheceria melhor mais tarde, onde tocamos em um inverno realmente frio. Digo frio porque até os radiadores dos carros congelaram com a neve.

Parecia uma cidade sem graça, mas muita coisa ainda estava para acontecer lá no futuro.

No inverno, tocávamos no interior e, no verão, na praia. Todos os lugares eram para a banda sempre festa e mais festa.

Num momento em que estava na praia, com meus pensamentos, lembrei da formação original da banda há tempos atrás. Quando havia conhecido o vocalista da banda, Serguei, que era tão fanático pelos Beatles quanto eu.

Serguei apresentou-me um outro cara muito louco: Mário (aquele que...); montamos a banda em sua primeira e, modéstia parte, melhor formação.

Serguei tocava guitarra e cantava, Mário tocava bateria e eu tocava baixo e, de vez em quando, cantava.

Bons tempos! Havia festa, paquera, mulher, música, bebida, azeitonas etc. Nós só nunca conseguíamos ganhar dinheiro e, quando ganhávamos algum, gastávamos o dobro em bebida. Por isso que o nome da banda era Os alcoólicos.

Foi nessa época que comecei a namorar com Adriana, uma recatada e misteriosa garota.

Nessa época tocávamos, também, em um bar na cidade, o Lucks Bar.

Aliás, tocamos nele por dois anos, o que chamávamos de ensaios ao vivo.

Nessa época de início de namoro com Adriana, comecei a faltar aos shows no Lucks Bar, de forma que uma vez, quando apareci lá, já havia até um substituto para mim, Vardinei, o novo baixista; fiquei furioso, mas o que fazer? Já não era o primeiro bolo que eu dava na banda. Bem, sabia que quando não se podia vencer o inimigo, o melhor que se podia fazer era se juntar com o mesmo, de forma que, daquele dia em diante, a banda contaria com dois baixistas, que tocariam revesadamente. Foi bom, pois poderia sempre chegar mais tarde e aproveitar melhor aquele tempo.Assim fiz.

Nesse mesmo ano, Truman entrou para banda, tornando-se nosso segundo baterista.

Tempos depois, entraria tanta gente na banda, que seríamos dois para tudo, dois vocais, duas guitarras, dois baixos, dois bateristas.

Também naquele tempo, em que era produtor de outra banda, Mário e eu saíamos seguido para a noite, houve até uma vez, em que, bêbados, fizemos um "sanduíche" com uma garota que acabáramos de conhecer (só com ela), mas isto agora não vem ao caso.

O guitarrista da banda, tinha viajado para Europa anos atrás e nos contava de suas experiências por lá. Não vou mentir, ficava babando, só imaginando em algum dia poder ir também, nem imaginaria, que iria para o velho mundo muitas outras vezes no futuro.

Já estava na véspera da segunda viagem e fui para a minha despedida na casa de alguns amigos e ficamos lá até as três horas da manhã; estava cansado, mas, a pedido, fiquei um pouco mais, sabia que meu avião partiria para Londres em poucas horas, mas somente minha namorada Adriana sabia disso, pois para todos, eu iria na segunda-feira.

Naquele sábado tocamos, bebemos e comemos todo o tempo, era o que chamava de uma grande despedida, tudo estava perfeito.

Com Adriana a relação não ia bem, brigávamos muito, sempre separando e voltando, seguíamos andando entre tapas e beijos, mas naquela noite tudo estava ótimo.

Eram altas horas quando saímos de lá e fomos para minha casa, Adriana e eu. Nós estávamos completamente bêbados, mas alegres e tivemos, o que se poderia dizer, a transa do século, pelo menos para mim, nem imaginava que seria a última nos próximos seis meses; como de costume, após, a deixei em casa e voltei para dormir, pois estava exausto, mas não ligara, visto que poderia dormir mais tarde no avião, aproveitando que a viagem era longa.

2.INDO PARA O VELHO MUNDO

Quando acordei, meus dezoito quilos de bagagem já estavam prontos, estava até mais esperto, o peso anterior fora de trinta quilos, pois pensava ter aprendido com o trabalho que passei para carregar tudo aquilo a Europa inteira na primeira vez e, finalmente, peguei o avião. Na terceira viagem, que faria no futuro, seriam apenas seis quilos, essa bagagem reduzida representaria um terço, de forma que mais uma vez, aprenderia que, quanto mais leves, mais livres ficamos.

Após algumas horas de vôo era como se o passado fosse se desligando, não havia mais passado, apenas o presente e as coisas que imaginava que iria fazer no futuro, porém nem imaginava o preço que teria que pagar por aquela escolha...no momento nem ligava, pois o que queria era conhecer uma parte nova do mundo.

No avião conheci várias pessoas de outros países, de forma que pude, desde já, praticar o novo idioma, que iria falar todos os dias; estava vislumbrado.

Quando cheguei lá desci primeiro em Portugal, pois faria um rápido " tur" de um mês pela Europa e só depois iria para o meu destino que era Londres.

Paisagens e mais paisagens, Torre Êifel, Arco do Triunfo, Coliseu, Sacreur Crer, museus, teatros, gente nova, tudo era demais, nessa viagem gastaria bem menos do que na primeira, pois já conhecia quase tudo e segui viajando e viajando...

Após viajar muito de trem, e dormir neles também, já estava cansado e resolvi parar na Suíça e, de lá, ligar para a namorada; foi uma das ligações mais caras que fiz, durou em torno de meia hora, mas a saudade era muita, era como uma dor explodindo dentro do peito, uma saudade terrível do Brasil e das pessoas que gostava, era estranho, pois pensei que jamais sentiria aquilo de novo, pensei estar curado da saudade da primeira viagem, mas nada feito, a saudade parecia pior.

Que azar! Na Suíça era meio dia, mas no Brasil eram sete horas da manhã, tive de tirar a Adriana da cama e, para meu agravante, a telefônica fecharia em seguida e só reabriria segunda-feira, quando já estaria em trânsito de novo (on the road again...).

A Suíça é um local muito bonito, estava em uma cidade chamada Interlaken (entre lagos), que se situava em cima de um dos Alpes, a vista era linda.

Tudo era tão limpinho nas ruas, pudera! Se alguém jogasse qualquer tipo de lixo no chão, teria de pagar o equivalente a duzentos dólares de multa; se, por acaso, fizesse "pipi" na rua, não havia fiança, a pena era um ano de cadeia direto. Visto por esse ângulo, era fácil entender porque tudo era tão limpo.

Na noite anterior havia ido a um Pub (Public Bar) Suíço e tinha até tocado um pouco de piano na folga do músico, mas na volta para a casa algo interessante aconteceu.

O bar fechava às cinco horas da manhã e o albergue em que estava hospedado só abriria às seis horas, de modo que teria de esperar 1 hora na rua, a um temperatura em torno de 5 graus.

Sentei na calçada para aguardar, quando vi um pequeno cercado que circundava um tipo de areão, que parecia uma pista de patinação; fiquei intrigado olhando para aquilo e não consegui entender o que era, somente mais tarde fui perceber. Lá pelas cinco e meia, um pequeno cão saiu de uma casa pela porta, tipo americana, onde a porta permanece fechada, mas o cão passa por baixo. Aquele areão era o banheiro dos cachorros da vizinhança, que desacompanhados, saíam de suas casas, cavavam um pequeno buraco, faziam o que devia ser feito, tapavam-no e retornavam para casa logo em seguida.

Aquilo para mim foi demais, pois naquele país até os cachorros eram educados, coisa que no meu país, para a maioria das pessoas, não era comum.

Com uma tremenda ressaca fui dormir assim que abriu o albergue. No outro dia, a dor de cabeça foi enorme e ainda nem conhecia a neosaldina.

Durante essa ressaca estava começando a perceber que talvez aquela viagem tivesse sido um erro, mas procurei não pensar muito e resolvi pegar o próximo trem para Londres (a Europa toda é interligada por trens, de forma que poderia ir para qualquer lugar que quisesse e, em algumas horas, estaria lá).

As paisagens vistas do trem eram um deslumbre, tinha neve para todo lado.

Quando cheguei em Londres já era noite, por sorte, mais ou menos, já sabia onde ficar: em um albergue freqüentado por estrangeiros, que cobrava quarenta e oito libras por semana, mais ou menos oitenta dólares; um bom lugar, apesar de ter oito pessoas por quarto, eles eram mistos, de forma que poder-se-ia conhecer pessoas de várias nacionalidades e aprender os vários sotaques do inglês mundial.

Naquela noite, apesar de morto de cansaço, saí para matar a saudade da noite Londrina; tudo era tão legal, tão bonito, tão certinho, que até parecia aquela música do Caetano chamada London London, porém ainda não era intuitivo para perceber que algo estava errado e que, quando as coisas vão certo demais, algo, certamente, está para acontecer.

Continuei andando e me lembrava de como era feliz no Brasil, tinha uma namorada que me amava, uma família legal que me dava tudo, conta no Banco Europeu, (uau!) excelentes amigos, para festas, e tocava numa banda que fazia algum sucesso; agora me tornara internacional, pois, para as pessoas do meu país, era muito difícil sair dele, devido aos altos custos das passagens aéreas para o exterior.

Nem ligava se existisse ou não Deus, pois, para mim tanto fazia, o que queria era me dar bem e, a julgar por tudo que estava acontecendo, estava me dando.

Inicialmente fui a um Pub, eram todos lindos, porém caros, uma pequena cerveja custava, em média, o equivalente a dois dólares por copo.

Descobri também, nesta época, um dancing subterrâneo, que era simplesmente demais. Pagava-se o equivalente a dez dólares para entrar. A entrada era subterrânea, uns cinco andares embaixo da terra, nunca havia visto nada daquilo e, lá embaixo havia um bar, típico bar de blues, esfumaçado e uma banda de blues tocando sem parar, tudo era vibrante e legal, o único problema é que estava sozinho.

Voltei para o hotel e fui dormir, cansado, porém feliz, ao menos pensava que era.

Acordei por volta das nove com algumas garotas falando no quarto, então abri os olhos e perguntei se estava no céu, mas imagino que elas não haviam entendido, pois não responderam nada; pensei, talvez não faça sentido no idioma delas e disse logo após, um bom dia e fui tomar café.

Assim que saí para a rua logo percebi que não havia o que fazer por lá, pois Londres já conhecia tudo o que tinha para conhecer, já estivera lá anos atrás e, como meu inglês ainda não era bom o bastante (pelo menos eu achava). Fui tentar me matricular em um curso de inglês, mas, como era próximo do Natal, nenhuma escola funcionava antes de seis de janeiro. Bem, fui tentar achar emprego para passar o tempo e ter uma grana extra para uma futura viagem para Israel e Egito, que faria em breve do que imaginava, pois havia gastado muito para conhecer os países que até então já conhecia.

Foi aí, enquanto andava pela rua, que me lembrei de Haluk, um amigo turco que havia conhecido na viagem anterior, para o qual vivia a repetir que não importava o que a gente fizesse e onde estivéssemos, a vida era uma só e deveríamos aproveitá-la ao máximo.

Eu próprio internalizei aquilo e comecei a viver imaginando que, realmente, só havia uma vida e meu humor até melhorou naquele dia (somente anos mais tarde fui descobrir que, não só passamos por várias vidas no plano físico, como existem outras dimensões paralelas, as quais habitamos junto com esta, mas isto fica para mais tarde) e acabei conseguindo um emprego de baby sitter, ou seja, cuidava de crianças.

No segundo dia resolvi me aposentar desse emprego, pois a criança que cuidava resolveu passar o próprio cocô no meu cabelo, justo naquele dia em que o hotel estava sem água quente. Foi um caos! Peguei a grana e tomei toda ela em cerveja, no mesmo dia.

Naqueles dias consegui um glorioso emprego de faxineiro. Uau! No Brasil, não limpava nem o meu quarto, quem diria! Lá eu iria ter a grandiosa oportunidade de varrer o chão, limpar banheiro, lavar pratos, desentupir pias, etc, yeh! Isso não era demais?

A única vantagem é que ganharia mais ou menos o equivalente a oitocentos dólares por mês, para compensar o trabalho duro.

Fiquei um tempo nesse emprego e logo fui promovido a chefe, chefe de limpeza, já que, naquele lugar trabalhavam comigo vários portugueses que não falavam inglês, e eu era o único que poderia traduzir as ordens da chefia (até então era um caos), e ainda podia me comunicar nos dois idiomas.

Londres estava nas vésperas do Natal, era um compra-compra e minha situação financeira de terceiro mundo num país de primeiro mundo era péssima, na época o salário médio dos londrinos era de, aproximadamente, o equivalente a três mil dólares.

Para mim tudo era caro, pois a relação da libra para o dólar, era de dois para um. Foi um tempo que pensava estar pagando todos os meus pecados, mas isso só ocorreria na minha volta para o Brasil.

E isso tudo sem contar que estava totalmente sozinho, pois é comum nessas viagens conhecer muitas pessoas, porém, poucos dias depois cada um segue seu caminho: um vai para a França, outro vai para a Bélgica, era assim, não havia nada de contínuo, apenas relações fragmentadas.

Aí me lembrei de Rinaldi, um amigo de infância que conheci no Brasil desde que tinha dois anos de idade, meu melhor amigo, por assim dizer.

Recentemente ele havia visitado o Brasil e estava morando em Israel há vários anos. Por que não visitá-lo e ficar uns tempos por lá? Assim, não só poderia reencontrá-lo, como conhecer Israel, Grécia, Egito, etc.

Estava decidido e naquele dia mesmo resolvi comprar uma passagem para Telaviv, Israel.

Quando cheguei na agência de turismo havia uma passagem para Israel em promoção, apenas o equivalente a duzentos e cinqüenta dólares, ida e volta, porém havia um pequeno problema, deveria estar no aeroporto em apenas quatro horas. Pensei, pensei e resolvi aceitar.

Passei no hotel, peguei minha mochila de dez quilos (com o tempo de viagem estava cansado de carregar tanto peso e joguei fora oito quilos de bagagem) e fui para o aeroporto, chegando ainda assim com duas horas de vantagem, pois, apesar de tudo, o trem levava uma hora do centro de Londres até o aeroporto.

Quando cheguei lá, outra surpresa, o aeroporto era gigantesco de forma que levou mais ou menos uma hora para localizar o portão de embarque e fazer o "check in", mas no final deu tudo certo e já estava dentro do avião a caminho do Oriente Médio.

3.NO ORIENTE MÉDIO

Cheguei em Israel por volta da meia-noite e descobri que, apesar de ser um país que vive em guerra, as pessoas não pareciam ruins e que era facílimo entrar lá, o difícil era sair, pois quando fui embora fiquei numa fila de cinco horas para embarcar no avião, segundo eles, questão de segurança.

Em Telaviv era madrugada e não havia nenhum meio de transporte àquela hora, pois Jerusalém, onde Rinaldi estava, ficava há uma hora de ônibus. Aliás, havia táxi pelo equivalente a duzentos dólares.

A única alternativa foi dormir no aeroporto, grande novidade! Já estava acostumado a dormir em rodoviárias, praças, trens e agora em aeroportos. Até preferi, pois além de ser seguro, tinha calefação, e fazia muito frio. Teria de aguardar ali até as seis da manhã, quando os transportes voltavam a funcionar.

Após alguns transtornos, finalmente consegui chegar na casa de Rinaldi, que ficou alegre com minha chegada, também fiquei, pois fazia muito tempo que não era acolhido daquela maneira e fui ficando lá por duas semanas.

Apresentou-me toda a Jerusalém, incluindo os lugares por onde Jesus Cristo passou, na época não dava bola para isso, mas minha mãe havia me pedido para fotografar esses lugares e assim fiz.

O que estranhei muito em Israel foi a polícia de lá, cujos policiais andavam com metralhadoras nas ruas e nos ônibus, e aquilo tudo era comum para eles, mas acabei acostumando.

Visitamos a velha cidade onde os judeus não se dão com os árabes, que não se dão com os ortodóxos, que não se dão com sei lá mais quem. Todos esses segmentos se odeiam, a ponto de que se um ônibus judeu passasse por um bairro árabe, seria como ser atacado por uma bomba (coktel molotov).

Eles realmente se odeiam tanto que em alguns bairros da cidade velha Rinaldi não podia entrar, pois por ser judeu, podia ser morto.

Nunca conseguiria me acostumar com tanto ódio, as pessoas deveriam se respeitar, não importa a religião que cada um siga, pois na minha concepção atual, já que antes nem acreditava em Deus, todos os segmentos levam a Deus.

Um belo dia resolvi conhecer o Egito e fui até Telaviv para obter o visto para a sua capital Cairo. Foi terrível, pois a embaixada do Egito trabalhava em horários difíceis e, ainda, levava algumas horas para autorizar o visto, de forma que perdi um dia inteiro nessa função.

Mas, finalmente, o dia da viagem chegou e essa até que custou pouco, apenas cem dólares para passar alguns dias no Egito com direito a algumas refeições, hotel, além de visitas a lugares históricos, aliás foram cento e dez dólares, pois para adquirir o pacote com cartão de crédito havia uma pequena taxa de 10%.

No dia da excursão, tinha de acordar bem cedo, umas quatro horas da manhã, pois a viagem estava marcada para as seis horas.

No caminho, na fronteira, trocamos de guia e motorista, que eram judeus, e pegamos um guia e motorista egípcios, pois os judeus odeiam os egípcios e vice versa. Continuamos a viagem em comboio escoltados por vários caminhões da polícia, armados para garantir a nossa segurança. Já estava começando a me arrepender daquela viagem, mas segundo o americano que já havia estado lá sete vezes, aquilo era perfeitamente normal, para eles, pensei.

Nessa viagem de quatrocentos quilômetros que deveria durar somente algumas horas, na realidade durou, nada menos, que doze horas, pois havia muitas paradas para revista. Conheci três brasileiras, dentre elas Jaque que morava na minha cidade.

O Egito, apesar de ser o país mais pobre e miserável que conheci e de ter um salário mínimo quatro vezes menor do que no Brasil, até então, dos vinte e oito países onde estivera, era o mais bonito, mais místico e mais tudo que se pode imaginar.

Tirei fotos e mais fotos de pirâmides e camelos. Um dia perto das pirâmides, paramos para almoçar. Nossa guia turística havia nos levado a um restaurante que cobrava vinte e cinco dólares por refeição. Uma parte do grupo onde estava incluído, eram uns "duros", viajavam economizando, de forma que ficamos de fora e fomos comprar alguns sanduíches no bar da esquina (que chinelagem!).

Havia entre nós uma brasileira muito bonita e com os cabelos cor de fogo (humm!). Aproximou-se de nós um árabe, que parecia ser rico e perguntou quanto nós queríamos por ela. Pensei que era brincadeira e disse dez mil dólares. Ele deu as costas e dirigiu-se até um Mercedes Benz para pegar o dinheiro. Ficamos apavorados, escondemos a menina no ônibus e passamos a conversa nele, que havia vindo até nós com os dez mil dólares na mão. Após esse incidente, nunca mais fizemos esse tipo de brincadeira com aquela gente.

Naquela noite, enquanto andava pelas ruas do Cairo, notei que havia dois tipos de polícia nas ruas: os verdes e os azuis, perguntei para o pessoal do hotel se era realmente seguro andar por lá e um funcionário falou assim: - Sempre que você vir por perto os soldados azuis, fique tranqüilo pois são os policiais que protegem os turistas, se você não os vir pode ficar preocupado, evite andar pelas ruas que não sejam as avenidas, pois aqui é muito perigoso.

Não vou mentir, apavorei-me. Fiquei sabendo, depois, que era comum pessoas serem raptadas para mais tarde serem vendidas como escravos em outro país; a segurança ali era, realmente, coisa séria, a vida humana ali, pelo que pude perceber, não valia nada.

Apesar disso, as paisagens eram maravilhosas, o que mais me chocou foi quando entrei em uma das pirâmides, pensei inicialmente em encontrar tudo aquilo que vemos nos filmes, mas para minha surpresa, dentro das pirâmides, só existe areia e os hieróglifos esculpidos nas paredes.

Ao perguntar ao nosso guia egípcio o porquê, foi respondido que uma pequena parte do conteúdo das pirâmides estava lá mesmo, no museu do Cairo, mas que a grande parte estava guardada no museu de Londres e nos museus americanos. Pode??!!

Curti tudo que tinha para curtir no Egito e resolvi voltar para Jerusalém o mais breve possível. A volta foi igual a ida, troca de guias e mais caminhões e soldados para escoltarem o comboio que nos levava. Pensei, deve ser difícil viver nessas condições, pois no Brasil, comparado com aqueles países, parecia o melhor lugar do mundo para se viver.

Aliás, ao meu ver, o Brasil é o melhor do mundo, não existe outro país igual a nosso. Aqui temos algo que a maioria deles não têm, calor humano.

Voltei dias depois para Jerusalém, para me despedir de Rinaldi e me dirigi até Telaviv para pegar o vôo para Londres.

4.DE VOLTA A LONDRES

Chegou o dia de voltar para Londres e assim fiz, entretanto, não sabia que para deixar Israel era tão difícil, faziam perguntas de tudo que havia feito ali, perguntavam sobre fotos que havia batido e tudo o mais, até aí nada de mais, mas além de ficar numa fila, em pé, por cinco horas para embarcar no avião, a minha entrevista levou mais ou menos uma hora, saí de lá jurando que nunca retornaria àquele país.

Quando cheguei em Londres era véspera de Ano Novo e fui para o meu hotel por volta da meia-noite. Quando se conhece o caminho fica bem mais fácil.

Acordei cedo no outro dia e vivi um dos piores dias da minha vida com a expectativa de um Ano Novo sozinho, em uma terra distante, mas fui levando e quando chegou a noite resolvi ligar para Adriana (a namorada que pensava ainda estar comigo) e falamos muito, como já sabia que voltaria em poucos dias perguntei a ela se estava com saudades, se queria que eu estivesse no Brasil. Sim, sim, disse ela, claro! Porém, dias mais tarde, no Brasil a história seria outra. Senti-me melhor e estava decidido a voltar mesmo, tentei adiantar a passagem, mas nada feito, teria de esperar mais quatro dias para o retorno.

Não que a viagem não fosse boa, estava bom até demais, conhecer todos aqueles países, todas aquelas pessoas, mas o problema eram as coisas que havia deixado pendentes aqui.

Começava agora a me lembrar que era muito feliz no Brasil e que aquela viagem já tinha dado o que tinha de dar.

Lembrei-me de minha ex-namorada, Isaura, que sempre me dizia, navegar era preciso, só não me havia dito que um dia, de tanto navegar a gente acabava se cansando disso. Isaura havia sido minha primeira namorada, pelo menos primeira namorada séria. No futuro descobriria que Isaura, Adriana e Celeste (que conheceria seis meses depois, no Brasil, e com quem me casaria) tinham muitas coisas em comum. Sempre dizia que as três namoradas pertenciam à minha trilogia individual kármica, pois foi através delas que aprendi muito sobre mim mesmo e sobre o mundo.

Aqueles quatro dias passaram muito devagar e a temperatura em Londres era de quatro graus negativos. Acreditem, é muito frio. Mas o grande dia chegou, estava afoito para rever Adriana, minha família, a banda, meus negócios e ser alguém muito mais experiente do que antes. Que legal, mal podia aguardar o embarque.

5.DE VOLTA AO BRASIL

E chegou finalmente o dia do retorno, quando voltei ao Brasil pensei em fazer surpresa para todos, mas no final a surpresa foi para mim, visto que imaginava que tudo que havia deixado estava aqui e continuava a me esperar. Doce ilusão! Foi uma surpresa atrás da outra, parecia combinado.

A apaixonada namorada não estava mais tão apaixonada, na banda já havia um substituto (mas com alguma choradeira consegui meia vaga de volta), o famoso Banco Europeu, meu banco, passou a exigir um saldo mensal de seis mil dólares para que continuasse como cliente, era muito além do que ganhava. No meu trabalho fiquei por longo tempo resgatando os clientes e ganhando pouco e, para completar, minha mãe me dizia todos os dias, umas dez vezes por dia, "tu és realmente um inútil... até a tua namorada te abandonou".

A situação não era das melhores, para falar a verdade era apavorante, tudo havia sumido, não havia mais chão debaixo dos meus pés, o mundo havia desmoronado e, lentamente, estava começando a sair debaixo dele.

Os dias eram longos, os meus negócios iam de mal a pior, só não quebrei por intervenção do destino, o dinheiro que ganhava, mal dava para pagar as contas.

Naqueles dias era muito comum voltar à pé para casa deprimido, aquilo tudo para mim havia sido um choque. Procurava sair com meus amigos, o problema era que a maioria deles eram mais amigos de Adriana do que meus, de forma que eu podia contar apenas com o pessoal da banda.

Pelo menos, apesar de "meio" integrante da banda, tocávamos muito no litoral nos finais de semana, onde havia muita festa e compensava a amargura da semana.

Muita gente conheci na praia, mas se repetiram as situações que vivi na Europa, mal conseguia me acostumar com as pessoas e elas tinha de voltar para suas casas na capital

Ligava semanalmente para Adriana, mas após algumas ligações, por uma incrível coincidência, ela não estava em casa em horário algum, de forma que após uma ou duas saídas com ela, praticamente perdemos o contato.

Não podia ficar para trás, algo deveria ser feito, pensei até em suicídio, mas concluí que tudo aquilo era apenas um obstáculo que deveria, mais cedo ou mais tarde, superar. Pensei, também, que talvez aquilo tudo fosse alguma espécie de teste ou provação, pela qual deveria passar para aprender alguma coisa antes de deixar esta vida. Resolvi consultar minhas cartas de tarô, para ver o que elas diziam.

No ano anterior havia comprado um tarô para impressionar a namorada de um amigo e para, possivelmente, transar com ela (que caráter não?!). Mas o tempo foi passando e fui aprendendo a utilizar o tarô de forma que já estava bastante hábil.

Na primeira baixada, vi nelas que estava em um caminho, porém não havia chegado ao fim, que apesar da situação em que me encontrava ser difícil, deveria ter fé em mim mesmo e em Deus, assim como a sorte que aparece inesperadamente, os reveses também aparecem da mesma forma. O jeito era esperar, pois aquilo não poderia durar para sempre. Foi muito animador ver tudo aquilo nas cartas, uma injeção de otimismo, aos poucos, as coisas iriam começar a melhorar, mas tudo deve ser feito ao seu tempo, nem mais, nem menos depressa que o necessário.

Nesse dia me lembrei de Isaura, que havia me contado uma espécie de parábola budista:

"Um homem havia sido atingido por uma flecha envenenada. Ao chegar no médico, este queria saber muitos detalhes, inúteis no momento, como quem era o homem que havia o atingido, se era alto, baixo, gordo, magro, de que espécie era a arma, que tipo de arco ele usou, a que distância estava quando disparou a flecha, que motivos o levaram a disparar contra ele, seriam motivos pessoais, ou havia confundido com outro... e assim iam as perguntas. Se o médico que iria cuidar dele, fosse parar para responder a todas as perguntas, provavelmente o veneno da flecha se espalharia pelo corpo do homem, antes que pudesse tratá-lo".

Isso significa que, muitas vezes, alguns acontecimentos podem não ter uma explicação no momento, mas certamente na hora certa o véu que cobre nossas consciências cairá e haverá um desbloqueio onde tudo será compreendido naturalmente.

Apesar de achar bonita aquela lembrança, ainda estava triste e naquele instante lembrei que dizem que quando Deus fecha uma porta, abre-se outra. O problema era que não acreditava em Deus.

6.DANDO UM TEMPO NA PRAIA

Em uma noite quando cheguei em casa, havia um recado que Frank teria ligado. Não nos víamos a vários anos, eu estava literalmente abandonado e aceitei o convite para sair.

Marcamos num antigo bar onde alguns amigos dele iriam tocar, e, após horas de conversa, falei que havia estado na Europa pela segunda vez, fato que ele desconhecia, e por fim combinamos de passar o final de semana na praia, pois era verão.

Na praia entra uma nova e importante personagem, Karina, a irmã de Frank. No início parecia uma garota séria, bem comportada, mas após inúmeras "marafas", digo, garrafas, foi quem mais se soltou, no bom sentido. Era um tempo bom, nos divertimos muito.

Em todos os lugares que íamos, era sempre festa. Houve uma vez em fui tocar em uma praia próxima, com a antiga banda, e Karina e eu levamos um quilo de farinha. Porém, chegando lá, dissemos para a "magrinhada" que a farinha era cocaína e estávamos dando, pois não iríamos mais usar. A "magrinhada" fazia fila para pegar a sua parte, mas, acidentalmente, deixamos tudo aquilo cair no chão, só dava gente voando na farinha para garantir o seu.

Na volta, como não poderia deixar de ser, o carro, e nós, voltamos completamente sujos de farinha.

Aquele pessoal tinha os ingredientes básicos para a festa. Todos eram loucos.

Após vários fins de semana, resolvemos marcar uma ida para uma praia mais longe, com mais gente, e assim fizemos. Éramos cinco ou seis pessoas que buscavam se dar bem e também queriam se divertir muito, assim fomos para lá. Ficamos, inicialmente, numa pousada, onde em menos de dois dias quase fomos expulsos por tanto bagunçar, ninguém mais nos suportava; percebemos isso quando solicitamos a conta, que, para nossa surpresa, já estava pronta. Havíamos sido advertidos de que, se não parássemos, seríamos expulsos.

Era uma questão de tempo, por isso pedimos a conta antes que nos jogassem para fora. Alegamos, pois éramos bagunceiros honestos, que tínhamos quebrado um prato acidentalmente e queríamos pagar por ele. O gerente disse: - Não tem importância, esqueçam isso e vão embora. Assim o fizemos.

Perto dali, havia um pequeno armazém que vendia bombinhas de São João e compramos mais ou menos umas cem unidades e, sempre que parávamos para pedir informações, largávamos uma bombinha atrás da pessoa, sem que ela visse, e seguíamos nosso caminho de carro, olhando para trás para ver o susto da mesma. Que feio!

Após muito rodar sem destino, acabamos parando em uma praia menor ao sul onde alugamos um casa. Era tudo festa, quando não nos drogávamos, bebíamos e, quando não bebíamos, drogávamo-nos.

Nesse dia, lembrei-me de quando estudava as cartas de tarô, como na vida não devemos nos prender e ficar em certas coisas por muito tempo, assim como aquela situação, pois se nós continuássemos nela, viraríamos drogados ou alcoólatras ou, quem sabe, os dois.

Um belo dia resolvemos entrar em uma floresta que havia ali perto, para pegar cogumelos e, acidentalmente, descobrimos um outro personagem importante nessa história: Virgo, o bruxo da montanha.

Virgo morava em uma caverna, apenas com as coisas básicas para a vida. Tomava banho de rio, bebia água da fonte e fazia as suas necessidades no mato. Esquentava sua comida em um fogão feito de pedras e cuidava do lugar. Virgo era o guardião.

Ficamos assombrados, Virgo era muito estranho e não conhecíamos, até aquele dia, alguém como ele, e que, principalmente, vivesse daquela maneira. Ele era completamente desprendido da matéria, como nós deveríamos ser. O cara era completamente "zen", falava pouco, não mexia os olhos e seus movimentos eram lentos, mas o pouco que falava estava repleto de sabedoria.

Ao perguntarmos sobre naves (ufos), se houve aparicções ali, ele simplesmente nos respondeu: "sim, eles aparecem quando menos esperamos".

Após, a pedido, serviu-nos um pouco de água. Porém Frank e eu não sabíamos que aquela água era mágica, tinha cogumelos nela, e nos deixou um pouco fora do ar por dois dias, em estado alterado de consciência.

Naqueles dois dias a nossa rotação havia sido rebaixada, de forma que ficamos tão ou mais "zen" que o bruxo.

Resolvemos voltar lá dias mais tarde para conversarmos mais sobre o assunto e levamos até um presente, uma "marafa", digo, uma garrafa de cachaça para o bruxo.

Ele gostou e nos contou a sua história. Virgo trabalhava em publicidade em nossa cidade há muito anos atrás, porém um belo dia cansou de tudo, atirou tudo para o ar e foi morar na montanha.

Essa era a versão longa de sua história. Ficamos abismados!

Nos anos que se seguiram fomos visitá-lo inúmeras vezes. Sua caverna se tornou para obrigatória em todas as férias.

Numa tarde chuvosa, aliás depois de vários dias de chuva, não havia nada para fazer e Karina resolveu me emprestar um livro que falava sobre viagens astrais.

Viagem astral ou experiência fora do corpo, como cientificamente é conhecido, é o ato de, durante o sono ou em estado de relaxamento profundo, sair do corpo com consciência.

Para mim tudo aquilo parecia loucura, mas no livro havia a seguinte frase: "mesmo um relógio parado está certo duas vezes ao dia", era nosso caso, nós éramos os relógios parados. Foi nesse instante que recebi um "insight" que só fui entender mais tarde. Saí do ar e comecei a pensar muito sobre o que havia lido, sem chegar a nenhuma conclusão naquele momento. Só iria entender aquilo tempos depois.

Novamente havia sido traçado mais uma rota no destino.

Passou o tempo, como deveria passar, nada pára, sempre tudo muda o tempo todo e temos de nos adaptar a essas mudanças e, para confirmar essa teoria, voltamos da praia, fizemos algumas festas, depois cada um foi para seu lado, e, após algumas semanas, eu estava com uma novo namorada, Heloísa.

Aliás, semanas antes aquilo havia sido previsto para mim nas cartas do tarô. Sabia que antes de completar nova idade conheceria a mulher da minha vida, só não sabia se poderia identificá-la. Talvez fosse Heloísa, pensei, era super legal e compreensiva, todavia, após o início do namoro vieram várias garotas, quase uma atrás da outra, ou melhor, todas juntas, quando me dei por conta, já tinha quase uma namorada para cada dia da semana. Havia sexo todos os dias e como a maioria delas morava sozinha, eu nem precisava gastar em motéis, que legal, minha sorte havia virado mesmo, quem diria! E no trabalho comecei a prosperar, havia trocado para outro Banco e já estava tocando algumas vezes na velha banda e às vezes em outra, dava até para dizer que, de certo modo, eu tinha reconquistado tudo aquilo que perdera ou jogara fora anteriormente.

Nesse período, de vez em quando, eu lembrava daquela previsão das cartas de tarô, a mulher escolhida estava se aproximando, no início ficava intrigado, mas depois logo esquecia.

Tudo era tão bom, tudo era tão legal, eu conhecia mais e mais gente, só que havia um pequeno problema, apesar de tudo eu não era feliz e vivia chateado, não compreendendo como aquilo era possível.

Eu convivia muito com o camarada Augusto, que era, e é até hoje, um grande amigo, saíamos juntos para fazermos festa. Vivíamos de bar em bar procurando as meninas, de forma que eu, quando não estava na casa das namoradas, estava nos bares com Augusto para conseguir mais algumas, saía todas as noites, às vezes ia para casa só para trocar de roupa.

Apesar de ter uma vida social e sexual totalmente ativa, muitas vezes antes de dormir eu entrava em "parafuso" e sentia uma profunda depressão, pois continuava infeliz.

Um belo dia apareceu mais uma namorada nessa história, Celeste. Foi um encontro estranho, já havia marcado uma ponte num outro bar com uma gata que conhecera na noite anterior, mas estava naquele bar com dois amigos bebendo, quando a vi. No princípio não senti nada, minha intuição ainda não era desenvolvida, mas acabamos por convidá-la a sentar em nossa mesa (Celeste estava acompanhada de duas amigas). Inicialmente fiquei afim da prima dela, a Maga, pois tinha algo estranho nela, visivelmente notava-se que era diferente e falava em coisas que eu jamais ouvira sobre ocultismo. Me lembro até de ter perguntado no mundo dito ocultista. Ela respondeu: "tu já começou a entrar e nem sabe, porém os resultados irão aparecer em breve.

Também conversei com Celeste naquela noite, que a princípio não havia ido com a minha cara e, visivelmente, demonstrava isso.

Passou a noite, não compareci no encontro no outro bar e pensei que tinha perdido a noite, porém o melhor ainda estava por vir.

Nunca perdi o contato com Celeste, mas em uma oportunidade, tempos depois, ela me ligou dizendo que um amigo havia dito que ela era louca e que eu também era louco, de modo que deveríamos ficar juntos, pois éramos dois loucos.

Gostei do papo e marcamos uma saída dias depois, foi um encontro alcoólico. No primeiro bar bebemos quatorze cervejinhas, no segundo, mais quatro e em casa mais um mini box de cerveja. Estávamos completamente bêbados, mas tentamos transar, era óbvio que não conseguiríamos.

No outro dia quando acordamos em meio a uma transa, quando olhei em seus olhos, percebi um brilho estranho e recebi, em uma fração de segundo, algo que nunca tinha recebido antes. Era um tipo de informação em bloco, que não se pode expressar em palavras, aquela mulher era a mulher certa, que combinaria com todas as minhas vibrações futuras, ou seja, Celeste era minha cara-metade.

Quase pirei, pois sabia de tudo isso e ela não, mas também sabia que se a largasse em casa naquele dia, tudo para ela poderia não passar de uma transa, esqueceria tudo e não mais iríamos nos ver.

Nesse momento, foi um convite atrás do outro, a convidei para almoçar fora (eram quatro da tarde), após, ir ao cinema, após dormir lá em casa, após, tomar o café da manhã, após ir ao parque, após almoçar, após para outro cinema e somente no fim da noite, eu deixei a deixei em casa, prometendo ligar dentro de alguns dias.

Pois aconteceu que fomos ficando, fomos ficando, fomos ficando, até que percebi que ela seria a única. Deu um pouco de trabalho, mas comuniquei às outras namoradas que a história com elas chegava ao fim; daquele dia em diante tentaria ser normal e ficar apenas com uma: Celeste.

Melhoraram as condições e pude sair da casa de meus pais e montar, finalmente, meu apartamento.

Passou-se o tempo e a roda de amigos foi se abrindo, Celeste conhecia muita gente interessante, dentre elas algumas pessoas espiritualizadas, foi nessa época que recomecei a acreditar em Deus, passamos juntos por vários segmentos como Gnose, Projeciologia, Budismo, Religiões Afro, Espiritismo, Ufologia Científica, Vimanosofia, Conscienciologia entre outros. Concluíamos que em todos os lugares havia fanáticos e equilibrados. Eu tinha uma cliente de apenas quinze anos, que me disse que saía do corpo em viagens astrais. A princípio pensei que ela era maluca, mas depois de um tempo resolvi comprar alguns livros sobre o assunto e acabei tendo em um sábado (na casa da sogra Letícia), a minha primeira experiência fora do corpo, após a famosa "galinha da sogra", um galináceo que só ela sabia preparar, com batatas e regado a um ótimo vinho tinto. Isso no tempo em que nós ainda comíamos carne. Estava desperto em um sonho e atravessava coisas, podia voar e, ao mesmo tempo, sabia e podia ver meu corpo (tridimensional segundo a gnose) deitado na cama.

Aquilo foi demais, pois eu podia ver meu corpo estando vivo, concluí que a morte não existia e que a vida, possivelmente, não seria uma só, disso o espiritismo já falava.

Na mesma noite acordei Celeste e falei do acontecimento, ela achou interessante e me perguntou como se fazia, respondi, "basta relaxar e querer", minutos depois ela despertou e disse: "tem razão, é legal".

Puxa, eu havia lido um livro, praticado todos os dias, para na noite do sexto dia ter uma rápida viagem astral e, em minutos de explicação, Celeste desdobrava-se sem a menor dificuldade. Mas tudo bem. As coisas, em geral, não se desenvolvem para todas as pessoas na mesma velocidade.

A partir daí, reavaliei toda a minha vida e comecei um novo caminho: o caminho espiritual.

***PARTE II - O CAMINHO ESPIRITUAL***

7. DESCOBRINDO O PLANO ASTRAL

Após a primeira saída fora do corpo, outras foram acontecendo nos dias que se seguiram, tudo aquilo parecia coisa de louco, mas, à medida que eu falava sobre isso para outras pessoas, alguns me olhavam estranho e outros diziam já ter ocorrido com elas. Se eu era maluco, pelo menos não era o único, pensei.

Foi naquele tempo que descobri a Gnose, acidentalmente. Era um curso gratuito sobre o conhecimento de várias coisas, dentre elas o plano astral. Segundo ela, sempre que dormimos vamos para o plano astral, porém isso pode ser de duas formas: consciente ou inconsciente como todos fazem. Descobri também, que é possível se desdobrar em astral ou sair do corpo sem precisar estar em R.E.M. - Rapid Eyes Moviment (movimento rápido dos olhos) como é conhecido cientificamente, a técnica básica era relaxar e querer muito.

Lembrei-me que a mãe de Adriana freqüentara, anos atrás, um curso de projeciologia em nossa cidade (como esquecer, se naquela noite tivemos que buscá-la contra a minha vontade, eh eh eh!). Informaram-me que as potências do mundo, na época EUA e URSS, estudavam a técnica de viagem astral a fundo, porém às escuras, para utilizá-la em espionagens. Também obtive informações, superficiais, sobre "chakras" (apelidava de crachás). Mas que loucura era aquela de sair do corpo? chakras??? Porém, era demais para a época, eu ainda nem havia começado a cavar o poço, quem diria encontrar água. Após várias saídas, concluí que em corpo astral poderia estar em qualquer lugar da minha cidade, do país, do planeta ou do cosmos, não é legal poder ir e visitar todos esses lugares e não gastar nada? Como já dizia uma velha letra de música, "...para viajar no cosmos não precisa gasolina...".

A técnica permite até visitar, em astral, as ex-namoradas. Isso foi ótimo, o que não consegui resolver no plano físico com elas (por não ter tido essa oportunidade) poderia resolver em plano astral, pois as conseqüências, na maioria das vezes, são mais abertas e de percepção mais profunda de ambos os planos (em plano astral não há bloqueios de pensamentos, logo pode se ler a mente das pessoas). Admito que, no início, abusei um pouco disso, de forma que podia obter endereços, telefones e informações pessoais das meninas. Que feio! Tempo depois estadaria Conscienciologia (junto com a Projeciologia, naquele mesmo lugar onde eu tinha ido de má vontade uma vez e não faria isto).

Nessa época me encontrei com Adriana na rua, logo após uma longa conversa com ela em plano astral na noite anterior, onde havíamos visto os porquês daquela separação, por parte dela e não minha, e tivemos a oportunidade de rever os melhores e piores momentos, como espectadores que olhavam um filme com outros personagens, de forma que pudemos ficar imparciais e não fizemos julgamentos apressados sobre pendengas de uma vida anterior. Mas isso não vem ao caso, pelo menos agora.

Perguntando para ela sobre o acontecido no plano espiritual, na noite anterior, alegou não se lembrar de nada; achei graça, pois pode acontecer no plano físico de não lembrarmos do plano astral, para isso é necessário criarmos o que chamamos de ponte etérica, visto que os corpos não são os mesmos. Por esse motivo ela não lembrava de nada, mas quando lhe disse o número de seu telefone, que havia me dado no plano astral, ficou intrigada. Para que possamos compreender melhor, temos sete corpos, sendo que quatro deles estão aqui na terra e os outros três não.

Nosso primeiro corpo é o Físico, aquele que conhecemos desde a infância, nosso segundo é chamado de Etérico, que representa quase uma cola que nos liga ao nosso terceiro corpo, o Astral, que é o corpo de sonho, de morte, uma vez que, quando estamos em desdobramento astral, estamos no mesmo lugar de que quando morremos. Por fim, nosso quarto corpo é o corpo Mental Inferior, que é o lugar onde se processa tudo o que pensamos. Imagino que depois daquela rápida conversa, se Adriana tivesse alguma dúvida de que eu fosse maluco, agora estaria certa.

Também descobri, em astral, que Celeste e Adriana trabalhavam já pela segunda vez em endereços muito próximos, apenas dois quarteirões uma da outra, mas como elas se viram muito pouco, provavelmente já teriam cruzado pela rua inúmeras vezes sem se reconhecerem. Descobrindo o lado astral foi como se eu descobrisse uma segunda vida todas as noites.

Através da ajuda no lado astral comecei a superar vários bloqueios que, até então, eu tinha e comecei a me tornar uma pessoa melhor; isso foi proporcionando o conhecimento de outras pessoas que também tinham mais ou menos experiências do que eu. Num verão Celeste e eu, que já estávamos juntos há alguns anos, nos encontramos na praia com Frank, Karina, Ema, Paola, etc. Aquela velha turma de outros carnavais. Foi uma festa, porém agora todos estavam um pouco mais velhos e alguns com um pouco mais de juízo, outros menos.

Alugamos um barco entre várias pessoas e a maioria estava bêbada; para acessar o barco havia dois modos, à nado ou à bote. Quando quase todos estavam na embarcação, Karina resolveu ir à nado e chegou muito cansada, eu a ajudei a subir derrubando-a na água por duas vezes por brincadeira, e somente a retirando na terceira vez. Karina, sem nada saber, abandonou seu corpo físico involuntariamente em uma EQM (Experiência quase Morte, fenômeno como é conhecido na Projeciologia) e em astral conseguiu ver essa cena toda de cima, que legal! Pena que Karina quase morreu para ter essa experiência. Karina só me contou esse fato anos depois, visto que, na época, ficou tão furiosa que quem corria risco de vida era eu se tentasse me aproximar dela, por isso segui meus instintos e Celeste e eu trocamos de praia para a nossa segurança, pois a partir desse incidente, ou acidente, tudo começou a dar errado comigo. Naquele ano as coisas correram tão bem financeiramente, que trocamos de carro duas vezes. Quando voltamos da praia logo tentamos esquecer de tudo e, novamente, nossas amizades foram se ampliando e outras experiências surgindo, iniciando por uma palestra sobre ufologia.

Foi uma loucura! A palestra durou nada menos que doze horas e o tema foi tão fascinante que acabamos formando um grupo de estudos ufológicos, sob orientação de um camarada contatado com seres extraterrestres. A cada semana que passava ficávamos cada vez mais ligados com os fenômenos e íamos com freqüência em palestras. Vários fenômenos ocorridos anteriormente em nossas vidas começaram a ter explicação e, após isso, foram vistos por nós algumas aparições de naves em plano físico.

Num sábado, Celeste e eu fomos convidados para um aniversário na casa de Carlos e Maristela. No aniversário ficamos conhecendo Aderbal, irmão de Maristela, o qual era uma pessoa muito entrosada no meio ufológico e, após várias horas de conversa, ele nos contou que se quiséssemos ter contato mais direto com a ufologia, não precisávamos ir até o centro do país, pois já estávamos com passagem quase marcada para ver aparições sensacionalistas, que davam até um brinde espacial para os viajantes de determinada companhia de turismo.

Próximo de onde morávamos existia uma cidade conhecida como a Cidade da Pirâmide, onde essas aparições eram mais freqüentes e um pouco mais longe dali, fenômenos dessa natureza eram conhecidos por quase todos da Cidade dos Morros. Muitas pessoas, de várias partes do mundo, estavam se mudando para essa cidade e ouvimos até que dois cientistas da NASA já haviam estado por lá para estudo. Quase piramos com a informação e no fim-de-semana seguinte fomos, finalmente, conhecer a Cidade da Pirâmide.

8.CONHECENDO A CIDADE DA PIRAMIDE, A COMUNIDADE MACROBIÓTICA, CIRANO E ANELISE E AGUARDANDO O CONTATO

A estrada era péssima, como não poderia deixar de ser, de tal forma que nos sentimos muito aliviados quando chegamos, porém, havia um problema. Queríamos falar com pessoas que nem conhecíamos e também nem imaginávamos onde iríamos encontrá-las, então a única forma foi falar a verdade e ver o que o destino guardava para nós.

No primeiro lugar em que estivemos, falamos assim: "estudamos ufologia e gostaríamos de conhecer pessoas como nós, que se interessam pelo assunto, ouvimos dizer que por aqui podemos encontrá-las". Para nossa surpresa, a pessoa que nos atendeu mostrou-nos alguns quadros sobre o tema e nos deu um endereço e um nome, Senhor Itamar, entendido em ufologia e, segundo sabemos, já havia mantido contato com nossos irmãos do espaço. No caminho achamos alguém que o conhecia e nos disse que se Itamar não estivesse em casa, possivelmente um disco voador o havia seqüestrado. Aquilo não soou bem, mas acreditamos que, pelo menos, estávamos perto de achá-lo.

Fomos direto à casa dele. E, com alguma dificuldade, achamos o lugar, mas nos informaram que Itamar havia viajado e não sabiam quando voltava. Ficamos na mesma e fomos adiante. Após algumas horas de busca e conversas, que pareciam "sem pé, nem cabeça", mesmo para nós, acabamos parando num restaurante onde conhecemos os donos, Tarcisio e Ingred. Fomos muito bem recebidos por eles e nos apresentamos como um casal que tinha um problema e que haviam nos dito que eles podiam ajudar a resolver.

No início, Tarcisio pensou que queríamos almoçar, pois já estava no meio da tarde e naquela hora não havia mais nenhum restaurante aberto. Celeste e eu rimos e resolvemos abrir o jogo, dissemos que estávamos ali para conhecer e trocar idéias sobre naves e seres do espaço. Sentamos e conversamos por volta de quatro horas e meia; era como se já nos conhecêssemos há muito anos.

Após a conversa daquele dia, ficamos sabendo sobre muitas coisas, dentre elas, quem era Saint Germain, o que significava o "Eu sou", o que era a Chama Violeta, que várias naves (ovnis ou ufos para os não iniciados) já haviam sido avistadas por ali, inclusive por eles. Foi uma conversa muito interessante mas, antes de cair a noite, Celeste e eu resolvemos retornar para nossa cidade, pois eu detestava dirigir à noite. Anos atrás eu só gostava de dirigir à noite, quando a estrava estava vazia e podia dirigir em alta velocidade. Que mudança!

No caminho falamos de como havia sido produtiva aquela conversa e de que, possivelmente, voltaríamos. Na realidade, naquele ano, acabaríamos por conhecer muito mais gente lá e aqui e retornaríamos umas vinte vezes. Meses depois, tiramos um tempo de férias e decidimos passar alguns dias na Cidade da Pirâmide e, a cada lugar em que íamos, conhecíamos mais e mais gente e obtínhamos mais e mais informações. Foi por lá que acabamos conhecendo Ilma, um achado, pois era um poço de sabedoria, sabia de tudo e nos contou entre outras, a história da Escada de Jacó:

"Há muito tempo atrás, a humanidade, antes de encarnar no planeta Terra, vivia em outros planos superiores, desconhecendo, assim, o mal. Foi pedido a Deus, então, uma oportunidade para que pudessem ter essa vivência em um plano tridimensional (Terra), a fim de aprenderem e assim foi feito. Passados infindáveis tempos chegaria a hora de retornar ao Pai, porém esse final não seria tão fácil quanto se imagina. Parte dessa humanidade voltaria ao Pai e o restante tornaria a reencarnar e isso significaria a oportunidade de evoluir novamente até o ponto de retornar também". Ficamos abismados, mas após algum tempo aceitamos a idéia, pois como não acreditávamos na morte, sabíamos que ao final de cada existência ficávamos um tempo no plano astral e, após, reencarnávamos de novo, a fim de sempre evoluir.

Foi em torno desta época que conhecemos mais dois personagens importantes: Cirano e Anelise, que era uma paranormal super forte e que, além de dominar as viagens fora do corpo, tinha o dom de ver auras (campo energético luminoso que permeia o corpo humano, atualmente comprovado pela foto Kirlan). Uau! Ficamos espantados e, tempos depois, quando retornamos para casa, descobrimos que ambos moravam lá em nossa cidade e, num sábado, fomos ao encontro deles.

Chegando na casa de Cirano e Anelise, recordei de já ter estado lá treze anos atrás e que já nos conhecíamos, pois naquela época, Cirano havia feito um trabalho de fundamental importância para mim, porém, até o momento, isso estava bloqueado e no ato foi desbloqueado. Inicialmente parecia ser uma rápida visita, mas acabou sendo uma visita de sete horas seguidas, sem interrupção, de muita conversa compactada. Ali descobrimos muitas coisas, dentre elas que existem vários irmãos do espaço ajudando-nos no plano físico, a nos preparar para o final dos tempos. E lá tomamos conhecimento de uma mensagem gravada em fita, de Ashtar Sheran, obtida em 1992.

Falamos sobre vários assuntos, entre eles a Bíblia, principalmente sobre a Arca de Noé, os tempos do dilúvio e sobre o Projeto Terra e a Arca de Noé II. Fomos convidados a participar de um grupo espiritual (formado quando a fita gravada de Ashtar foi recebida anos atrás). Em suas sessões ocorriam canalizações com esses irmãos do espaço. Esse grupo também fazia saídas a campo para avistamento e contato onde mais tarde poderíamos comprovar o que estava acontecendo. O trabalho era dividido em três partes: uma oração inicial, canalizações e um trabalho em grupo sobre o planeta Terra, que, como sabem, há muito tempo está doente, devido às guerras, explosões nucleares e formas-pensamento negativas das pessoas, condenadas sobre ele.

Para que possamos compreender melhor, é como se em nosso corpo físico houvesse uma ferida e essa ferida nos perturbasse, e a gente não fizesse nada. Um belo dia quando não agüentássemos mais, colocaríamos sobre essa ferida um desinfetante e, por fim, terminássemos com a dor. Pois bem, a ferida é a humanidade que insiste em contaminar o planeta e o planeta, como organismo vivo, estaria se preparando para se livrar da causa de sua ferida. Líamos muito, íamos a diversas palestras e assistíamos tudo que fosse relativo a isso.

Conhecemos Roberto, um macrobiótico sensitivo que bolou uma dieta macrobiótica para mim, na qual eu consegui perder em poucos meses, uns vinte quilos (eu era gordo). Roberto tinha muita experiência em várias áreas esotéricas, dentre elas, o desdobramento astral, na qual trocamos muitas idéias a respeito. Ele vivia em uma comunidade alternativa na periferia da cidade, na qual eu tive oportunidade de visitar várias vezes. Nessa comunidade achei estranho que ninguém era gordo, todos tinham os corpos quase perfeitos (alguns até eram magros demais), devido à alimentação desprovida de todo tipo de carne, açúcares e sal em geral, não que isso seja ruim, mas esses tipos de alimentos não fazem bem nenhum ao organismo.

Celeste e eu aderimos à nova alimentação. Mais tarde, na metade do ano, fomos convidados para irmos à Cidade da Pirâmide, fazer um trabalho espiritual, e, através de inúmeras literaturas que havíamos lido e palestras que havíamos assistido, tudo indicava que haveria uma aparição mundial em massa de naves interplanetárias no planeta todo. Nem tivemos dúvidas, demos um bolo em nossos empregos e fomos esperar os Ets na Cidade da Pirâmide.

Pois bem, antes disso eu já havia espalhado para todos os conhecidos sobre essa possível aparição mundial. A maioria deles achou que eu estava ficando louco, mas alguns tremeram nas bases. Na verdade, o que eles não sabiam, é que nossos irmãos do espaço viriam em breve, mas não para nos atacar, como certos filmes no cinema insistem em pregar, mas sim para nos dar uma mãozinha no futuro salto evolutivo que acontecerá em breve no planeta Terra. Chegamos lá à noite. Na sessão foi canalizada a informação de que todos os presentes foram agraciados com a mudança do código genético: de DNA para GNA (código genético futuro, que somente pessoas nascidas nos últimos 20 anos possuem). Uau!

Mas o mais interessante estaria para ocorrer no outro dia, quando Celeste, eu, Marfisa e Naerobi fomos pegar algumas maçãs e vimos uma nave energética no céu. Foi demais! Celeste e Marfisa conseguiam ver melhor que Naerobi e eu. E o que víamos era igual a uma forma que se deslocava muito rapidamente no ar, a uma velocidade muito, muito superior a avião ou foguete. Para variar, só não deu tempo de fotografar, pois apesar do grupo ter umas vinte câmeras fotográficas, nós, ali, estávamos sem nenhuma. À noite foi feita uma vigília, mas nada foi visto, além de aviões e faróis de carro ao longe, e como estava muito frio, voltamos mais cedo do que o combinado.

Naquela noite, Anelise e eu tivemos um desdobramento astral, porém quem se lembrou foi ela no outro dia; quase apanhei do seu namorado, quando Anelise (a paranormal super forte) contou quase gritando, para todos que tomavam o café da manhã, que eu havia ido durante a madrugada no quarto das mulheres. Foi ela falar isso que todos ficaram em silêncio e Cirano (que mede algo em torno de dois metros de altura, na época seu namorado) quase voou em cima de mim, Anelise acalmou-o e disse que era em plano astral. Após tudo explicado, jurei a Cirano que na próxima vez eu não passaria da porta do quarto das mulheres e, por fim, tudo acabem bem.

Dagofredo não parava de rir. Dagofredo na realidade, havia sido meu cliente nos anos oitenta e foi um dos principais elos de ligação, entre mim e Cirano, anos antes de reconhecê-lo e participar daquele grupo espiritual. Ele é um tipo diferente de pessoa, sempre de bem com a vida, alegre e brincalhão, nunca o vi bravo com ninguém, rara vezes para falar sério, porém, quando falava, via-se que sabia mais do que aparentava.

Era feriado e como estávamos em grupo grande, a maior parte resolveu retornar devido às chuvas, de forma que ficaram lá somente Cirano, Anelise, Celeste, eu e Angélica (responsável pela alimentação natural daquele final de semana). Angélica fez para nós o que chamávamos de pãezinhos iluminados. Eu explico: Angélica sempre que fazia pãezinhos, após prontos, energizáva-os com os palmochakras (chakras são vórtices ou rodas energéticas situados no duplo etérico do corpo humano), de tal maneira que Anelise podia ver uma luz azul saindo dos pãezinhos quando eles eram servidos, tudo isso regado ao chá pata-de-vaca, um tipo de chá que Roberto (o macrobiótico sensitivo) havia me ensinado a fazer.

No outro dia, a chuva havia parado e fomos para uma cachoeira, não muito longe dali, para nos energizarmos. Os rios e as cachoeiras possuem uma energia muito forte e podem revitalizar as pessoas que nelas entram. É o que chamamos de água viva (Raul Seixas já falava disto).

Estávamos numa cachoeira, e Anelise disse estar vendo atrás de mim bolotas energéticas coloridas, já que tinha visão etérica e astral podia ver o que a maioria de nós ainda não conseguia. Porém, dessa vez tínhamos câmera e fotografamos as bolotas energéticas.

Nesse dia me lembrei de outro acampamento que havíamos feito com esse mesmo grupo na Cidade dos Morros, onde houve simulação de final dos tempos, acampamento e um contato visual programado com nosso irmãos de luz. A princípio deveríamos levar só o estritamente necessário, pois seria uma simulação de final dos tempos. Contudo, a maioria das pessoas levou tantas coisas que, se realmente fosse o final, teríamos sérios problemas de locomoção, mas tudo deu certo. Dava até menina tomando banho no rio, usando xampu e passando vários tipos de creminho no corpo. Como acampamos no meio do mato, o banheiro não existia, de forma que o jeito foi fazer o famoso cocô no mato. Fazer cocô no mato é fácil o difícil é lembrar de não pisar, apenas lembrando que éramos vinte e cinco pessoas e ficamos lá por vários dias. Quando chegamos, fomos recepcionados por uma chuva, para nossa sorte ela só se deu minutos após termos montado o acampamento.

Em uma daquelas noites, subimos numa montanha para fazermos o avistamento e tivemos um breve contato visual com naves, também tivemos várias canalizações de nossos irmãos do espaço, que sempre nos ajudavam a apontar algumas falhas do grupo. E foi aí que pensei o que sempre dizia aos meus clientes: nesse plano é impossível aprender sem errar, pois o erro faz parte do aprendizado. Após, mergulhamos na cachoeira e voltamos para a cidade.

Quando voltamos, chegamos a ficar preocupados, pois na ida havíamos falado para todos sobre a aparição em massa e ela acabou por não acontecer, meia cidade me ligou naquela segunda-feira para me cobrar sobre os Ets que não apareceram. Não sabíamos o que dizer, nós havíamos visto (alguns do grupo), mas o resto do planeta não, viramos alvo de chacota para todos os nossos conhecidos e, o que é pior, agora a maioria tinha certeza de que éramos loucos. O que fazer? Resolvemos tocar a vida adiante e em poucos dias tudo foi esquecido.

Naquele ano, cada mês que passava, íamos adquirindo mais informações sobre o final dos tempos. Primeiro, não seria de forma amistosa, começaria com a queda das bolsas, em poucos meses as bolsas do mundo inteiro começaram a despencar, isso era notícia em todos os jornais, todos os dias, e tudo aquilo que era canalizado no grupo acontecia poucas semanas depois; não vou mentir, no início ficamos apavorados, mas com o tempo, como sabíamos que nossos corpos são imortais e que existe vida depois da morte, fomos encarando esse fato com mais naturalidade, a ponto de fazer brincadeiras com as datas das possíveis catástrofes mundiais.

Mas as coisas não paravam por aí, pois também sabíamos que em breve (só não sabíamos de quando seria esse breve), dois terços da humanidade deixaria o planeta em astral, para reencarnar em um planeta tridimensional (ou seja, atrasado como a Terra) em outro sistema solar. Somente um terço da humanidade seria resgatado pelos irmãos do espaço para, futuramente, reabitar o planeta Terra, quando já estivesse em uma dimensão superior.

Bom, já tinha gente rezando pelos cantos, pedindo para ser um dos escolhidos. Mas não fuciona assim! Quando isso acontecer (que será em breve, porém segundo o Apocalipse de São João, somente o Pai sabe a data e a hora), seremos escolhidos pelo padrão vibracional, ou seja, por aquilo que fazemos, pensamos e somos, portanto não adianta lobo se disfarçar de ovelha e ficar no meio delas, pensando que será resgatado. Já dizia o Mestre: "...quando chegar a hora, quem for sujo que se suje mais, quem for limpo que se limpe mais".

9 O CORPO DE MACACO, O FINAL DOS TEMPOS, O ANEL DE FÓTONS E UMA VIDA PASSADA

O mais chocante para nós foi ter descoberto, naquele ano, que nosso corpo físico atual era, nada mais, do que um corpo de macaco melhorado, com direito a um cérebro três por cem, ou seja, usamos em torno de três por cento da capacidade total de nosso cérebro.

Tudo começou há muito tempo em um planeta de outro sistema solar, que deu um salto evolutivo e nós (humanidade), por termos um padrão vibracional muito baixo, fomos reprovados e viemos habitar o planeta Terra. Nossos corpos eram diferentes no outro mundo e o mais próximo que conseguimos neste planeta, de acordo com a nossa baixa vibração, foi o nosso corpo físico terrestre (que é muito semelhante ao corpo dos macacos) e que, aos poucos, foi sendo melhorado.

A Terra, para nós, é um planeta-escola e nele passamos por encarnação após encarnação para aprendermos a evoluir. Em 1982 começou a transição para a Nova Era, a Era de Aquário. A era atual é, ainda, de Peixes. A transição dura vinte e poucos anos. Após, haverá uma nova vibração onde o passe é vibrar no amor...

Como diria meu amigo Odracir, tal processo, infelizmente, é um pouco demorado, porém, como no colégio, no fim do ano alguns passam e outros não. Quem passa terá direito a um novo ano, quem não passa, repete. Na Terra será igual, quem passar terá direito a habitar uma nova Terra, onde não haverá mais violência, desamor, egoísmo, desigualdades sociais, etc.

Quem não passar, será recolhido (através do desencarne) e renascerá em outro planeta muito semelhante à Terra (ou pior), com direito a todos problemas enfrentados aqui.

Esse planeta tem até nomes: Dotton, Chupão, 443, Hercóbolus, Relógio, Trem das Sete (música com mesmo nome do Raul Seixas), etc, etc, e etc; ele passa pelos planetas a cada espaço de tempo para recolher os repetentes (a humanidade somos nós os repetentes vindos de outros planetas, onde não fomos aprovados). Nesse período, em torno de vinte anos, que nos separam da troca de Era (Peixes para Aquário) haverá mudanças climáticas, políticas e econômicas (o que já vem ocorrendo há um bom tempo).

Se comparássemos com um CD, esse espaço de tempo seria a faixa intermediária, faixa 4 igual a Era de Peixes, espaço, faixa 5 Era de Aquário e quando a troca energética para Aquário estiver quase concluída, ou seja, o tempo estiver realmente muito próximo, saberemos, haverá os famosos três dias de escuridão, e por ignorância da humanidade, poderá ocasionar desespero, caos, etc.

Se todos soubéssemos que nosso corpo físico é apenas temporário, que não existe morte, que existe vida inteligente em outros planetas e que já passamos por isso ante, essa transição seria mais tranqüila. Muitos, assim como nós também, confundíamos, pensando que tudo isso será o final do mundo. Não! Não será. Será apenas uma troca vibracional, onde (segundo a Bíblia) o joio será separado do trigo. Resumindo, seria como dividir a humanidade em duas partes, os bons e os maus.

Volto a dizer, não devemos nos apegar a datas como determinantes do final dos tempos, por exemplo 6/6/99 (quando estava escrevendo este trecho Celeste me ligou dizendo que, no seu emprego ouviu no rádio que em 11/8/99, haveria um alinhamento planetário em forma de cruz e que seria o fim do mundo) ou 9/9/99 ou 11/10/99 ou ainda 31/12/99. Essas datas, possivelmente, indicam algum início de Eras, mas ainda não significam que seja o fim, para isso basta ler o Evangelho, onde sita que a hora ninguém sabe, o acontecimento virá como um ladrão, porque quando eles vêm, não comunicam a hora.

O momento só Deus sabe, quando for a hora, será. Passou o tempo e em uma dessas reuniões espirituais, Celeste canalizou (serviu de meio) uma entidade, porém ficou nervosa e, como não sabia traduzir o bloco de informações recebido, falou-nos em língua original, o problema é que não entendemos nada da canalização, pois tudo indicava que era aramaico.

Após a reunião, fomos aconselhados a procurar um Centro Espírita para ajudar Celeste. Falei: "- um centro espírita?" Lá perto de casa freqüentava um e queriam o meu couro quando falei ao grupo que me desdobrava em astral. Considero-os um pouco radicais. Mas foi dito: "-esse é um Centro Espírita nada ortodóxo, é até liberal demais."

Na semana seguinte, fomos conferir e marcamos uma orientação com Paulo, coordenador do Centro, que nos explicou que a canalização não havia se dado em nosso idioma por uma falta de ajuste da médium, Celeste. E fomos convidados a participar também daquele centro. Após assistimos a uma palestra com Odracir, um dos palestrantes da casa. Odracir falava de naves espaciais, Ets, final dos tempos, desdobramento astral, entre outras coisas, que eu nunca antes havia escutado dentro de um Centro Espírita; no término falamos com ele, e finalmente decidimos freqüentar a casa.

Foi durante uma conversa com Odracir que perguntamos para ele sobre vários segmentos que existiam por aí (alguns dos quais já havíamos feito parte) qual, na visão dele, era o mais correto. Essa pergunta tinha duplo sentido, mas ele respondeu que, de certa forma, todos os segmentos detêm parte da verdade e que a soma deles nos uniria, finalmente, a Deus. O principal era aceitar os outros segmentos, mesmo não concordando com eles, pois aqui na Terra não temos o direito de julgar ninguém.

E foi nesse tempo que, em meio a uma palestra de Odracir, Xam nos contou a parábola da vaca: "Tempos atrás, mestre e discípulo andavam juntos e encontraram uma vaca pastando à beira de um abismo. Perguntado ao discípulo de quem era a vaca, o mesmo respondeu que pertencia a uma família muito pobre que sobrevivia da venda do leite animal. Nesse momento o mestre falou: - Confias em mim amado discípulo e farias tudo o que eu te peço? - Oh! Sim venerável mestre! O que queres? - Quero que empurre a vaca no abismo. - Oh não mestre! Isso seria terrível, aquela família depende dela para sobreviver, disse o discípulo.

Mas por fim acabou fazendo o que o mestre havia lhe solicitado, e, depois disso, partiram para longe. Anos mais tarde, retornaram àquelas terras e perceberam que no mesmo lugar havia uma vasta plantação, gado abundante, e uma bela casa. O mestre olhou para o discípulo e disse: - Vá se informar a quem pertence a bela casa e os prósperos campos. Voltou mais tarde o discípulo, embasbacado, pois a casa e o terreno pertenciam àquela família pobre, proprietária da ex-vaca. E o mestre finalizou: - Amad o discípulo, se você ão tivesse empurrado a vaca, os membros daquela família teriam se acomodado com o pouco que tinham e estariam pobres até hoje. Porém, sem a vaca, tiveram de se esforçar, de forma que estão hoje muito melhores que antes."

E muito pensei, que na maioria das vezes temos medo de trocar o certo pelo duvidoso, mesmo que isso signifique a nossa infelicidade, ou fazer algo que não gostamos, aí que lembrei-me de um velho provérbio Indú que dizia: "A vida é como uma ponte, passe por ela, mas não construa uma casa em cima." Sim, uma ponte! Após cada vida retornamos para o plano astral para saldar débitos e preparar a próxima existência.

Lembrei-me de Roberto, quando uma vez em plano astral eu estava com Celeste e ele apareceu. Fiquei contente e disse: " - Que legal! O que vamos fazer?" E ele disse: " - Vamos visitar a sua vida anterior." Uau! Como? E ele respondeu que bastaria atravessar uma parede que estava em nossa frente, atravessamos e... A cena era em preto e branco (para demonstrar o passado), Celeste e eu caímos dentro de um metrô a mil em Londres, quem diria! Nesse século mesmo, apesar de ser incomum reencarnar em seguida, lá estávamos preocupados e apressados para nos casarmos. De repente, algo aconteceu e aquilo foi interrompido, de forma que voltamos ao plano físico com um mal-estar, pois, pelo que pude perceber, morremos muito cedo e acabamos por não nos casar na vida anterior.

O mais estranho foi o que, meses mais tarde lembrei e que vou contar agora. Fazia anos que Celeste e eu morávamos juntos e um belo dia resolvemos nos casar. Bem, como não somos normais, resolvemos que nosso casamento também não o seria, em vez de festa, resolvemos nos casar em sábado pela manhã, em casa, e logo após passar a lua de mel, adivinha onde? Em Londres! Para mim seria a terceira vez que retornaria lá, pelo menos nessa vida. Celeste e eu chegamos em Londres somente para completar o que não havíamos conseguido em nossa vida anterior, pelo fato de termos morrido muito cedo e antes de nos casarmos em Londres.

10. O LIVRO, O PARALELO E AS VIDAS PASSADAS

Este livro não foi psicografado, mas sim intuído, pois todo ele já estava em minha cabeça antes de passá-lo para o papel, as idéias vinham rápidas demais, de tal forma que anteriormente fiz um esboço e após fui montando capítulo por capítulo. Um dia antes de terminá-lo, num domingo, havia dormido, apenas quatro horas e acordei sem sono pelas cinco horas da manhã, com todas as idéias para finalizar, pois até então, eu havia escrito somente os sete capítulos iniciais. Os cinco últimos vieram naquela manhã de domingo, das cinco às nove horas, onde apenas ficava deitado em um sofá de olhos fechados, recebendo todas as informações para os capítulos finais.

No momento da recepção, não anotei nada, pois sabia que tudo estava sendo intuído e gravado direto em meu corpo astral. Quando retornei para finalizar o livro, na segunda-feira, foi em questão de poucas horas e estava pronto. Quando terminei o décimo primeiro capítulo, estava exausto e resolvi descansar um pouco. Como um tiro de misericórdia, me veio o epílogo do mesmo.

O tempo total foi de uma semana, comecei-o na última segunda-feira de julho e terminei-o na primeira segunda-feira de agosto, fazendo pequenas alterações na terça e quartas-feiras seguintes, após, foi direto para Xam digitá-lo. Mas alguém disse: "E se você não tivesse viajado, esse livro teria saído?". Aí entra o paralelo, pois junto com esse plano tridimensional, porém em dimensão paralela, poderia eu ter cancelado a viagem e ter alterado todo o futuro, mas a escala evolutiva se daria de outra forma, pois quando encarnamos trazemos junto um programa a ser desenvolvido em nosso plano, que pode ser seguido ou não, a escolha é sempre nossa.

Para ilustrar, em um desdobramento astral tempo atrás, em um castelo, reconheci Adriana. Sabia que não era o tempo atual, mas outros tempos, e sabia que era uma vida passada minha com ela, só não sabia quando, pois naquele castelo ela estava com outro corpo, que por sua vez não era nem parecido com o atual. Naquele dia estávamos discutindo, pois ela estava para viajar, eu não sabia para onde, mas sabia que era para longe e que não voltaria tão cedo. Nesse momento da discussão, acessei o futuro e me lembrei da vida atual, falei para ela que aquilo já havia acontecido no futuro, só que nele, nossos papéis seriam trocados, em seguida começamos a nos desentender e acabei por retornar para o meu corpo físico.

Sempre que desencarnamos e não completamos o que viemos fazer aqui, damos um tempo no astral, escolhemos os personagens, em média uns mil e duzentos, e voltamos para cá com os papéis trocados ou não, por exemplo, se na encarnação anterior eu matei, nessa venho para morrer, se na outra encarnação fui rico, nessa venho pobre, e assim por diante. Porém, não necessariamente nesta ordem, algumas coisas podem se repetir.

E para calibrar tudo isso temos o Karma (ação e reação) que seria como um disco arranhado, pois sempre que deixamos, após uma vida, algo pendente, voltamos para refazer. No karma instantâneo, não precisamos voltar, pois podemos resolver aqui mesmo, nessa vida.

Se, por exemplo, na vida anterior você matasse alguém, e essa pessoa retornasse para te matar, ambos ficariam indo e voltando, até que um não matasse o outro, rompendo assim o cíclico kármico. Pelo que aprendi, uma das únicas formas de romper o karma é não cometer os mesmos erros feitos no passado, nessa ou em outras vidas. E alguém ainda poderia perguntar:

- Como reconhecer as pessoas de alguma vida passada? Isso é simples, é pela afinidade, pois quando conhecemos as pessoas importantes dessa vida, vemos que no dia em que a conhecemos, sentimos algo estranho que não conseguimos explicar, como se já a conhecêssemos. Mas, se por acaso, não conhecemos a quem deveria nessa vida, o que devemos fazer então? Também não há problema, pois nosso programa já conta com possíveis falhas humanas, de forma que não encontrando a quem deveríamos encontrar, podemos achar essas pessoas acidentalmente, em qualquer lugar, pois o "destino" se encarrega de unir no plano físico o que anteriormente já foi estipulado no período pré-encarnatório.

A vida terrena é um eterno aprendizado, devemos sempre olhar o lado positivo de cada situação, por pior que essa nos pareça, sempre há algo novo para se aprender, para que no futuro, possamos não repetir os erros do passado. E, se ainda assim errarmos, sempre teremos mais uma vida para acertar os erros da anterior. Sempre lembrando que toda regra tem exceção.

11. O APRENDIZADO, UM ACIDENTE COM O APOIO ASTRAL E AS PARÁBOLAS

Após aquelas experiências de vidas passadas, outras lembranças viriam em futuro. Nosso plano nada acontece por acaso, de forma que sempre estamos no lugar certo na hora certa. Quando começamos anos atrás (Celeste e eu) a freqüentar palestras, conhecemos muita gente, alguns sabiam muito, outros não sabiam quase nada e notávamos que alguns faziam parte do plano, pois como disse anteriormente, ninguém fica confuso sobre o que nada sabe.

Durante esse período li nada menos que quatrocentos livros, por isso pude me inteirar de todos os assuntos. Depois de tanta leitura e palestras, ficava mais fácil ver quais palestrantes realmente sabiam o que estavam dizendo. Também na Gnose aprendemos muito sobre o ego (vaidade), ele destrói tudo aquilo de bom que foi ou poderia ser construído, pois quando pensamos que sabemos tudo, concluímos que nada mais temos a aprender, que não mais queremos aprender pois sabemos tudo.

Quanto mais estudamos, mais entendemos que nada sabemos, porém quem nada sabe pensa que sabe, não se esforça, nem estuda para aprender. É aí que mora o perigo, pois acabamos virando ignorantes metidos a intelectuais. "Certa vez (há muito tempo atrás) um homem rico construiu uma bela casa de três pisos. Linda e maravilhosa era a casa e tinha na parte superior, uma linda vista. Havia, porém, um outro homem rico, que vendo aquela casa, ficou maravilhado e contratou um arquiteto, mandou-o construir uma igual. Esse homem estava fascinado pela cobertura da casa, que por ser bem alta dava uma linda vista de todo o lugar. Como não era um projeto fácil, levaria bastante tempo para construí-la. E o homem rico ficou impaciente quando viu o arquiteto recém no segundo piso e falou: ' - Arquiteto, construa de uma vez a cobertura, pois é o que mais quero nesta casa.'"

Assim como esse tolo homem rico, são algumas pessoas que querem sempre primeiro o resultado, antes de se preocuparem com os meios para obtê-los. Na caminhada espiritual ou na vida vale a mesma regra, ninguém pode começar pelo fim, é sempre devagar, passo-a-passo, o mais importante é sempre saber recomeçar e se possível aprender com os nosso erros, pois esses fazem parte do aprendizado. Somente temos aquilo que damos, isso pode parecer difícil de entender, vou explicar melhor.

Lembro-me de quando, anos atrás, Celeste chegou com um Notebook em um sábado de manhã e disse a mim: "sente-se aí que vou te ensinar a trabalhar em um micro computador e a entender os programas Windows."

No início fiquei apavorado e tentei me escapar (era sábado), mas Celeste insistiu, me ensinou o básico para que eu pudesse operar um computador. Passou o tempo e eu fui me aperfeiçoando, e a cada dia eu aprendia mais e mais, e, num belo dia, comprei um computador. Onde trabalhava comecei a usar muito o computador, e como era iniciante, os problemas aconteciam e com o tempo aprendi a resolvê-los sozinho.

Celeste, naquela época, viajava muito pelo interior de nosso estado a trabalho, e uma vez em uma ligação telefônica, falou-me que estava tendo um problema com seu computador e não sabia o que fazer, pois o técnico estava aqui em nossa cidade e era sexta-feira, e seu trabalho ficaria prejudicado por causa da pane. Aí eu disse a ela para que descrevesse o problema (por telefone), o que dizia na tela de seu micro, e o que estava acontecendo. Pouco tempo depois eu havia lhe dado todas as dicas de como resolver a pane em seu microcomputador, de tal forma que Celeste pode, finalmente, acabar o seu trabalho e retornar para casa. Isso me faz pensar... Se Celeste não houvesse me ensinado como operar um microcomputador, talvez não tivesse comprado um, não teria me aperfeiçoado, e não poderia tê-la ajudado.

Muitas vezes na vida necessitamos ajudar os outros para que, possivelmente, no futuro estas pessoas possam nos ajudar também. E, naquela época, Celeste, em uma de suas viagens, sofreu um acidente, quase perdeu a vida, destruindo por completo o carro zero que acabáramos de adquirir quatro meses antes.

Ela deveria acordar às quatro da manhã e dirigir até o interior do estado, para chegar às oito e meia para trabalhar. Tínhamos um vizinho que morava em cima de nosso apartamento, que, mesmo após pedirmos silêncio inúmeras vezes, fazia barulho no assoalho até altas horas. Naquela noite Celeste não dormiu bem, consequentemente, mais tarde na estrada, acabou dormindo na direção, bateu o carro em uma árvore fora da estrada, à beira de um abismo. Ela teve uma experiência EQM (Experiência Quase Morte) e pôde ver a cena toda de cima, em astral.

Celeste ficou desacordada por mais ou menos uma hora. Bem mais tarde, passava por ali dois anjos, em forma de caminhoneiros, que viram Celeste dentro do carro desacordada. Só eles conseguiram vê-la, já que o caminhão era mais alto que os carros, e como ela estava à beira de um abismo, as pessoas de dentro dos carros não podiam a enxergar. Esses anjos salvaram Celeste, tirando-a do carro e conseguindo ajuda na estrada, por outro anjo que vinha em um carro muito simples. Esse anjo a levou para um hospital na capital, onde foi socorrida às pressas, permanecendo na U.T.I. até o dia seguinte.

No outro dia, Celeste, fragilizada, retornou para casa e após o susto resolvi ligar para os anjos e agradecer o apoio extra-físico. Fui informado que eles tentaram, mas quando chegaram no hospital (em plano extra-físico) Celeste já estava sendo assistida por uma outra equipe de apoio extra-físico, e comunicaram que poderiam retornar pois o trabalho com Celeste já havia sido feito pelo grupo de Bezerra de Menezes. Eu nem sabia quem era Bezerra de Menezes, só iria descobrir em um centro espírita, tempo depois. Em nossa vida, muitas vezes, somos protegidos mesmo sem saber, pois na Terra somos assistidos vinte e quatro horas por dia. Temos um tempo aqui embaixo e quando ele chega ao fim devemos retornar. Felizmente não era o tempo de Celeste.

E nesse dia me lembrei de outra parábola: "Certa vez um homem foi visitado por um anjo que lhe disse: - Homem, virá hoje uma enchente muito grande e arrasará com toda essa região em que moras, mas não te preocupes pois nada te acontecerá, eu te salvarei. E dizendo isso o anjo se foi. Passaram-se algumas horas e a enchente veio, as águas começaram a subir. O homem subiu no telhado de sua casa, e a água já batia em seus pés quando veio até ele uma lancha com um rapaz: - Homem, homem, suba aqui porque a água está subindo e eu vim te socorrer! Mas este mostrou-se indiferente e respondeu: - Obrigado meu bom rapaz, mas meu anjo disse que me salvaria, pode ir. Ele foi.

Mas tarde, quando as águas estavam batendo na cintura daquele homem, veio um bote inflável com outra pessoa para ajudá-lo, mas foi em vão. Ele insistia para que fosse embora, alegava que seu anjo não o deixaria na mão e que o salvaria. E a segunda ajuda foi embora também. Quando as águas já estavam em seu pescoço, chegou outra pessoa, em um tronco que também lhe ofereceu ajuda, pois mais alguns centímetros e ele morreria afogado.

Mas ele novamente respondeu: - Saia daqui, salve-se você, meu anjo virá me tirar daqui. E veio uma forte onda, levando-o com seu tronco para longe e matando, por fim, o homem do telhado. Após morrer, chegou ele chutando as portas do céu e gritando com o anjo: - Anjo, me dissestes que irias me salvar e acabei morrendo! Porque mentistes para mim? E o anjo respondeu: - Como assim, menti para ti? Mandei para te salvar uma lancha, um bote e um tronco e tu recusastes!!!"

Quantas vezes na vida nos negamos a receber ajuda, sem percebermos que ela é destinada a nós (não era o caso de Celeste, que estava inconsciente, a menos que tivesse feito essas escolhas no plano astral). As coisas estão aí, bem na nossa cara, porém aqui em baixo, sempre temos de fazer essas escolhas.

Quanto ao vizinho barulhento, após um tempo resolvi perdoá-lo, não haveria motivo para ficar nutrindo sentimentos de baixa vibração, esses não nos levam a nada, na realidade, somente atrasam nossa evolução. Como já dizia Ilma, essa escolha é o que chamamos aqui na Terra de livre arbítrio.

12. EPÍLOGO

E foi Roberto, meu amigo sensitivo e macrobiótico, em uma tarde chuvosa, que me contou a seguinte parábola: "Era uma vez um rei muito poderoso. Na realidade esse rei possuía vários domínios, e vivia em guerra para conquistar mais e mais... Um dia ficou sabendo que na montanha havia um sábio com um anel mágico, e desejou tê-lo. Mandou uma caravana com jóias, ouro, presentes, para que esse sábio lhe vendesse o anel, mas lhe disse que o anel não estava à venda. Após várias tentativas de comprar o anel, foi o rei, acompanhado de sua caravana, encontrar o sábio.

Chegando lá, o rei disse ao sábio que gostaria muito de comprar o anel e que estava disposto a pagar qualquer coisa que pedisse. O sábio, porém, vendo que o rei estava realmente ávido pelo anel, acabou presenteando-o com ele. O sábio disse: - Vossa Majestade, devo advertí-lo de que este anel é mágico, e no centro dele há três compartimentos que só deverão ser abertos em três casos: o primeiro compartimento só deverá ser aberto no pior dia de sua vida; o segundo compartimento só deverá ser aberto se o possuidor estiver em perigo de morte; e o terceiro compartimento só deverá ser aberto no melhor dia de sua vida.

O rei ouviu o sábio, atentamente, e agradeceu o presente. Passado um tempo, esse rei foi perdendo todos os seus domínios, em batalhas e mais batalhas, de forma que ficou somente com um castelo. Porém, um dia esse castelo foi atacado por vários exércitos, que eram infinitamente maiores que o seu, e então o rei não teve outra saída, a não ser fugir, só com as roupas do corpo, por uma passagem secreta.

Passou o tempo e o rei virou um mendigo e, inconformado, um dia lembrou-se do anel que o sábio havia lhe dado e pensou: - Este é, realmente, o pior dia de minha vida, vou abrir o compartimento número um do anel. Apareceu o seguinte dizer: 'Isto passará'. O rei sorriu e pensou no sábio que sabia das coisas, então ficou muito contente e seguiu a sua caminhada.

Tempos depois, o rei, agora um maltrapilho andante, foi reconhecido por um de seus antigos inimigos e começou a ser perseguido. Eram muitos homens à cavalo a perseguir o rei, em direção a um abismo. Havia um denso nevoeiro e o rei corria sem parar e quando chegou à beira do abismo, pensou ter chegado ao fim. Nesse momento os homens e seus cavalos aproximavam-se rapidamente. O rei novamente lembrou-se do anel e abriu o segundo compartimento, havia o seguinte dizer: 'Deite-se e relaxe'. E o rei fez o que o anel dizia. Os homens e seus cavalos estavam quase em cima do rei, mas, por causa do nevoeiro, não viram o abismo e todos caíram. O rei se levantou e saiu cantando e dançando de felicidade, pois o anel do sábio realmente funcionava e, desta vez, havia lhe salvo a vida.

Passou o tempo, o rei, por ironia do destino, foi aos poucos conquistando e reconquistando tudo aquilo que perdera. Inicialmente, um castelo, após um reino, após exércitos. E o tempo foi passando, o rei já havia, não só recuperado tudo que tinha perdido, mas exatamente o dobro. O rei teve várias filhas que lhes deram muita felicidade.

Chegou o dia em que a sua última filha iria se casar e o rei não se contendo de alegria falou: - Hoje é o dia mais feliz da minha vida! E lembrou-se do anel do sábio. Abriu então o terceiro compartimento e nele havia escrito: - Isso também passará." Esta pequena parábola nos mostra que tudo é passageiro, nada é permanente em nosso plano, temos de ter fé em Deus e começarmos a nossa jornada.

A jornada não necessita ser em grupos. Ela pode ser individual, mas tempos de compreender que todos nós fazemos parte de um sistema maior, onde uns auxiliam os outros, de forma que se uma pessoa parar, as outras que estão com esta também e assim por diante. Como uma gota que cai na água e gera pequenas ondas envolvendo tudo o que está por perto, assim somos.

Constatei, nestes anos em que comecei minha busca pessoal (e esta começou apenas por curiosidade), que mesmo as melhores pessoas, quando em dificuldades, perdem também a linha e demonstram a fragilidade que têm.

Temos de aprender que o bem e o mal andam juntos e que nós somos os únicos que podemos fazer a escolha, por isso estamos aqui. Também aprendi que o poder da união é muito importante, quando vários pessoas buscam algo, os resultados sempre vêm mais rápido. De tempos em tempos somos testados de inúmeras maneiras, para termos certeza de que estamos no caminho certo.

Meses atrás me encontrei com Tancredo, amigo da antiga, e dei uma carona a ele, no final da noite, até sua casa. Ele, por sua vez, me perguntou: "- Quer fazer uma loucura? - Sim, qual é? - Tenho aqui comigo cinco gramas de cocaína, vamos lá em casa cheirar tudo? Respondi: - Pensei que nós iríamos fazer uma loucura, essa nós já fizemos inúmeras vezes no passado, mas agora eu tenho uma loucura maior para te propor. Abra a janela e jogue tudo fora, assim é que realmente faremos uma loucura e não repetiremos os mesmos erros do passado. Após algum tempo pensando, ele assim o fez.

A busca continua, temos de nos desprender de velhos hábitos que não nos servem mais, e adquirir novo que nos levem onde realmente queremos ir. Temos de traçar metas e seguí-las. No início pode parecer difícil, e até aparecerem pequenos ou grandes problemas e, no caso deles aparecerem, não diga a Deus que você tem um grande problema, diga a seu problema que você tem um grande Deus.

Quanto ao final do mundo, a polêmica criada serviu para conscientizar as pessoas de que o planeta não está isolado no universo, pelo contrário, faz parte de um todo, assim como nós. Mesmo não tendo o final que muitos aguardavam, não se iludam, tudo tem início, meio e fim, e por isso, deixo aqui minha pequena contribuição para quem realmente deseja ingressar neste novo caminho.

*** F I M ***

Digitado por DARIANE em 2003

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